TNSG mantém frota reduzida

ÔNIBUS SUPERLOTADOS: Passageiros reclamam também de longa espera. TNSG culpa a distribuidora de diesel

 

Mesmo com a greve dos caminhoneiros encerrada há seis dias, a TNSG segue operando em Cachoeira do Sul com sua frota de ônibus reduzida fora dos horários de pico. O diretor da empresa, Waldir de Souza, não informou quando a empresa retorna à normalidade, novamente justificando dificuldade para comprar diesel junto à distribuidora. Essa prática vem fazendo crescer as queixas dos usuários do transporte público no município, que enviam ao Jornal do Povo relatos de superlotação nos veículos devido à junção de linhas.

Um dos relatos feitos é da costureira industrial Ana Maria Lara, moradora do Bairro Habitar Brasil. Por mensagem ao WhatsApp do JP, ela relatou dois episódios ocorridos nestas segunda e terça-feiras quando se deslocava para casa. “Moro longe, o ônibus estava lotado e deixava muita gente para trás nas paradas porque não cabia mais gente. Na segunda-feira, teve até discussão dentro dos ônibus”, contou.

No final da tarde desta terça-feira cachoeirenses solicitaram que o JP presenciasse a longa espera de cerca de 70 pessoas nas paradas da Praça Honorato Souza Santos. A aposentada Tânia Teixeira disse estar há uma hora e meia aguardando o ônibus para o Ponche Verde. Dorothy Carvalho, de 79 anos, também moradora do Ponche, disse que além da espera a população está sendo obrigada a enfrentar os veículos completamente lotados.

O mesmo relato foi feito pela promotora de vendas Alessandra Nunes. Um grupo de jovens militares que utiliza a linha Noêmia disse que na segunda-feira foi necessário descer do ônibus que estavam e pegar o que vinha em seguida, devido à lotação do veículo. Por volta das 18h15min, quatro ônibus da TNSG carregaram cerca de metade do grupo que estava na parada naquele horário.

CRISE

Antes da greve, a TNSG operava com 28 veículos para atender 490 horários. Depois, em meio à paralisação e ao desabastecimento, a empresa passou a contar com somente 10 ônibus rodando fora dos horários de pico, devido à paralisação dos caminhoneiros. Nos horários de pico, a empresa afirma estar rodando com 20 veículos. Isso significa que circulam mais ônibus nas primeiras horas do dia, próximo do meio-dia e no encerramento do horário comercial. Nos intervalos, a quantidade de veículos rodando diminui, o que provoca as longas esperas e a consequente lotação dos veículos.

Diretor da TNSG se defende

O diretor da TNSG, Waldir de Souza, não garantiu o retorno do atendimento normal da empresa. Ele fez uma análise do problema de superlotação enfrentado pelos cachoeirenses e deu três razões para as reclamações. Segundo ele, um dos motivos da lotação é o aumento de passageiros, que normalmente não andavam de ônibus, e o fato de o início de mês ser um período em que os idosos saem para ir aos bancos receber suas aposentadorias.

Segundo ele, a terceira razão é o desconhecimento dos usuários sobre os horários do serviço. “Nosso passageiro de costume sabe o horário que o ônibus vai passar. Eu estava na parada da Escola Borges na tarde desta segunda. O pessoal pegava o primeiro ônibus da linha Noêmia/Cohab, e o que acontece, o ônibus enchia. Logo em seguida, vinha outro da mesma linha, já com menor lotação”, disse. “As pessoas têm medo que não venha outro ônibus e acabam lotando o primeiro”, disse.

INTERESSE

O diretor disse que é interesse da empresa retornar a operar com a frota integral, explicando que a TNSG estaria deixando de ter um melhor faturamento por operar com linhas reduzidas. Waldir diz que antes da greve dos caminhoneiros e sem a frota reduzida, os usuários do sistema estavam habituados com ônibus circulando com pouca lotação. “Bastante gente de pé é o normal do transporte público nos horários de pico”, declarou.

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